Façanha espetacular foi há muitos anos, mas até hoje é comentada.
surfista tsunami
Recentemente, temos visto notícias sobre a tragédia que se abateu sobre o Japão, com os terremotos e também tsunamis. Realmente uma tragédia. Tentando abstrair um pouco as notícias ruins, vamos falar sobre uma aventura curiosa de um peruano que teve a coragem (ou azar) de surfar uma tsunami muitos anos atrás.

História

Uma das teorias sobre a origem do surfe diz que, antes mesmo de havaianos e taitianos deslizarem sobre ondas em pequenas pranchas de madeira, índios pré-incaicos que viviam da pesca e habitavam a costa norte do Peru o faziam em “caballitos de totora”. Eram balsas de fibra de junco, fabricadas artesanalmente e sobre as quais se aventuravam no mar. Os feitos do legendário Felipe Pomar – peruano que se tornou o primeiro campeão mundial da história e até hoje, aos 61 anos, é celebrado por ter surfado uma tsunami –  reforçam a tese de que a América do Sul pode, de fato, ter sido berço do esporte.

“A experiência da tsunami foi única, mas espero que não se repita jamais” — afirma Felipe, por telefone, de sua casa na ilha de Kauai, no Havaí, onde se refugiou depois de viver por cinco anos em Oahu.

Por volta de 9h21m de uma sexta-feira, 3 de outubro de 1974, um terremoto, com epicentro a 90 quilômetros a sudoeste de Lima e 7,5 graus na escala Richter, sacudiu a capital peruana. No rastro da destruição, 78 pessoas morreram e 2.500 ficaram feridas. O primeiro e mais forte tremor de terra durou alguns minutos. Felipe Pomar e Pitty Block estavam na casa do segundo, na região litorânea de Punta Hermosa. Pouco tempo depois do susto,
ainda atônitos, Pitty sugeriu a Felipe que entrassem no mar em La Isla, em busca de ondas grandes.

tsunami

“Em dez anos de Havaí, eu já havia presenciado quatro alertas de tsunamis. As pessoas fugiam e ela nunca passou. Aquilo não me impressionava e a possibilidade de entrar no mar com alguém para isso era interessante” — lembra Felipe. Depois de 20 minutos na água, Pitty Block resolveu sair. Tinha estranhado o tempo que ficara submerso após descer uma onda pequena e de pressão desproporcional a seu tamanho. Uma forte corrente começou a arrastá-los mar adentro numa velocidade incomum. A princípio, Felipe pensou que o fundo do mar havia se rachado, produzindo um efeito de sucção. Lembrou-se então de ter lido que antes da chegada da tsunami o mar se retraía e voltava com força avassaladora (dig din dig din dig din :):
— “Àquela altura, não tínhamos mais controle da situação. Estávamos a quase uma milha náutica (1.852m) da costa. A aparência do mar era tenebrosa. As ondas vinham de todos os lados e algas cobriam a superfície, fato estranho, considerando a distância da praia”.
Ambos decidiram remar na direção da corrente para atravessar a baía e chegar a Kon Tiki,onde as ondas quebram a um quilômetro da costa. A idéia era dropar a primeira que aparecesse, aproveitar a espuma e chegar à praia. Quando a tsunami chegou, tinha dez pés (três metros) e uma pressão descomunal:
— “No Havaí, tinha visto ondas muito maiores, de mais de 30 pés. Mas uma onda de dez pés naquela circunstância era capaz de varrer o que estivesse em seu caminho.
Felipe conseguiu surfá-la e, depois, deitado na prancha, aproveitou a espuma para se aproximar da praia. Nesse tempo, viu uma onda enorme se formar à sua frente e destruir um barco pesqueiro. Pitty Block vinha logo atrás. Remando entre pedaços de madeira,chegaram à areia e subiram um morro nas proximidades, refúgio de moradores de uma vila que acompanharam, angustiados, o drama da dupla. Até hoje ele é considerado uma lenda entre os surfistas.

E você? O que teria feito nessa situação?

Fonte: Globo.com

5 thoughts on “Curiosidades: conheça o surfista que já surfou uma tsunami!”

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